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Observatório · dado aberto

Onde o Brasil minera — e quanto rende

Toda mineração legal deixa dois rastros públicos: o título na ANM (quem tem direito de pesquisar ou lavrar, e onde) e a CFEM, o royalty pago sobre o que foi extraído. Cruzando os dois, o mapa da mineração brasileira fica nítido — e ele é muito mais concentrado do que o discurso sugere.

R$ 33 bi em CFEM · 268 mil títulos minerários — fonte: ANM/SIGMINE (dado aberto).
Royalty (CFEM) acumulado
R$ 33 bi
compensação sobre a extração
Concentração MG + PA
85%
do royalty em 2 estados
Títulos minerários
268 mil
requerimento → lavra (ANM)
Peso do ferro no royalty
73%
uma substância, do total arrecadado
Principais achados
  1. A arrecadação é geograficamente concentrada: 85% de toda a CFEM vem de MG e PA. Nenhum outro estado passa de R$ 880 mi.
  2. É também concentrada por commodity: o ferro responde por 73% do royalty — mais que todas as demais substâncias somadas. O valor da mineração brasileira é, essencialmente, minério de ferro.
  3. O funil regulatório é estreito: dos 268 mil títulos, 51% são pesquisa (direito de procurar) e apenas 6% chegaram a concessão de lavra. Título minerário é, majoritariamente, opção — não produção.
Base: ANM/SIGMINE (títulos) e CFEM (arrecadação), dado aberto · valores acumulados · substâncias consolidadas.

Dois estados concentram 85% do royalty mineral

CFEM acumulada por UF, R$

MGR$ 15 bi
PAR$ 14 bi
BAR$ 880 mi
GOR$ 864 mi
MTR$ 589 mi
SPR$ 494 mi
MSR$ 307 mi
SCR$ 210 mi
RSR$ 167 mi
PRR$ 159 mi
ROR$ 137 mi
TOR$ 128 mi
CFO.COM.BR

O ferro rende mais que todo o resto somado

CFEM acumulada por substância, R$

FerroR$ 24 bi
CobreR$ 2,1 bi
OuroR$ 2,0 bi
CalcárioR$ 648 mi
BauxitaR$ 591 mi
água mineralR$ 334 mi
FosfatoR$ 304 mi
GranitoR$ 292 mi
NíquelR$ 251 mi
AlumínioR$ 170 mi
CFO.COM.BR

A maioria dos títulos é pesquisa, não lavra

Títulos por fase no funil da ANM (nº de processos)

Autorização de pesquisa111 mil
Requerimento de pesquisa25 mil
Requerimento de lavra22 mil
Licenciamento22 mil
Disponibilidade21 mil
Requerimento de lavra garimpeira19 mil
Concessão de lavra15 mil
Requerimento de licenciamento10 mil

6% dos títulos são concessão de lavra. Em número, a mineração é dominada por areia, ouro e granito; em valor, por ferro — atividade e receita moram em lugares diferentes.

O que o país procura ≠ o que o país fatura

Títulos por substância (nº de processos)

Areia52 mil
Ouro43 mil
Granito18 mil
Argila16 mil
Ferro14 mil
Cobre10 mil
Cascalho9 mil
Saibro8 mil
Quartzito7 mil
Calcário7 mil

Leitura para decisão

Valor e volume não se sobrepõem. Em número de títulos, a mineração brasileira é de areia, ouro e granito — insumos de construção e garimpo, distribuídos por todo o território. Em receita, é minério de ferro, extraído em poucos municípios de MG e PA. Um mapa mede presença; o outro, dependência econômica — e para um município que vive da CFEM, a distinção é fiscal, não semântica.

O funil regulatório penaliza a leitura ingênua. Dos 268 mil títulos, 51% são pesquisa e 6% são lavra; entre requerer e produzir há anos de exploração, licenciamento e capital, e a maioria dos processos não completa o percurso. Um requerimento de pesquisa é uma opção; uma concessão de lavra produtiva é fluxo de caixa. São ativos de risco e liquidez opostos sob o mesmo rótulo “título minerário”.

Para crédito e diligência, a implicação é direta: o valor patrimonial de um título depende da fase, e a fase está no dado. Avaliar exposição a mineração exige ler qual título a contraparte detém — e cruzar por grupo econômico, porque a lavra que sustenta o balanço costuma estar numa controlada, não na empresa consultada.

Quer saber de quem é cada mina? A ANM publica os títulos com o nome do detentor. No CFO, cada título minerário aparece no dossiê da empresa — cruzado por CNPJ e propagado pelo grupo econômico, ao lado de dívida, sanções e contratos. Consultar um CNPJ →
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O título minerário no dossiê da empresa.

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Fonte: Agência Nacional de Mineração (ANM) — SIGMINE (títulos minerários) e CFEM (arrecadação de royalty), dado aberto. Substâncias consolidadas (ex.: “minério de ferro” e “ferro” somados). Valores acumulados da base carregada; indício de dado público — não é prova de titularidade nem de produção corrente.