Leitura para decisão
Valor e volume não se sobrepõem. Em número de títulos, a mineração brasileira é de areia, ouro e granito — insumos de construção e garimpo, distribuídos por todo o território. Em receita, é minério de ferro, extraído em poucos municípios de MG e PA. Um mapa mede presença; o outro, dependência econômica — e para um município que vive da CFEM, a distinção é fiscal, não semântica.
O funil regulatório penaliza a leitura ingênua. Dos 268 mil títulos, 51% são pesquisa e 6% são lavra; entre requerer e produzir há anos de exploração, licenciamento e capital, e a maioria dos processos não completa o percurso. Um requerimento de pesquisa é uma opção; uma concessão de lavra produtiva é fluxo de caixa. São ativos de risco e liquidez opostos sob o mesmo rótulo “título minerário”.
Para crédito e diligência, a implicação é direta: o valor patrimonial de um título depende da fase, e a fase está no dado. Avaliar exposição a mineração exige ler qual título a contraparte detém — e cruzar por grupo econômico, porque a lavra que sustenta o balanço costuma estar numa controlada, não na empresa consultada.