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Observatório · dado aberto

Quantas empresas parcelam débito na Receita, mês a mês

A Receita Federal publica, em dados abertos, todos os parcelamentos de débitos ativos — ordinário, Simples, MEI e os programas especiais como PERT e RELP. O CFO carrega, cruza por CNPJ e transforma numa pergunta simples: quantas empresas estão negociando débito com o fisco, e por quanto?

3,70 mi CNPJs com parcelamento ativo · R$ 204 bi parcelados — fonte: Receita Federal (dado aberto), 07/2026.
Principais achados
  1. Parcelar débito com o fisco é regra, não exceção: 3,70 mi CNPJs mantêm parcelamento ativo, somando R$ 204 bi — passivo tributário reconhecido e em negociação, não dívida exigível.
  2. A adesão tem estação: todo janeiro concentra novos parcelamentos (virada fiscal e prazos de programa). O maior pico é jan/2026, com 557.006 CNPJs aderindo num único mês.
  3. Leitura obrigatória: isto é estoque, não fluxo. A base traz os parcelamentos ainda ativos; os já quitados saíram. Os meses antigos aparecem subestimados — mede-se quem ainda paga, não quem já pagou.
Base: RFB — Parcelamentos (7 programas), dado aberto · 07/2026 · valor consolidado na adesão · último mês parcial.

Adesões por mês · CNPJs únicos e valor parcelado

CNPJs únicosValor (R$ bi)
CFO.COM.BR
É um retrato, não o fluxo histórico. A base traz os parcelamentos ainda ativos no último corte. Adesões antigas já quitadas ou rompidas saíram da base — então os meses de 2022–2023 aparecem subestimados, e parte da subida é sobrevivência, não só mais adesão. “CNPJ único” = raiz de CNPJ distinta no mês; “valor” = consolidado na adesão. O último mês é parcial.

O que os números contam

O primeiro fato salta do gráfico: todo começo de ano concentra adesão. Janeiro é sempre o pico — virada fiscal, prazos de programa, empresa arrumando a casa. O maior de todos é janeiro/2026, com 557.006 CNPJs aderindo num único mês (R$ 22 bi).

O segundo fato só aparece quando você quebra por programa — e é o mais interessante: quem mais parcela não é quem mais deve.

  • O MEI domina em número: 2,49 mi de CNPJs — mas só R$ 6,3 bi no total. É o parcelamento de valor pequeno, pulverizado em milhões de microempreendedores.
  • Já o ordinário (PJ e PF) tem menos CNPJs (524.724) mas concentra R$ 138 bi — o passivo grosso das empresas de porte.
  • Os programas especiais (PERT, RELP, Lei 12.996) são poucos em número mas pesados em valor: o especial PJ sozinho tem R$ 83 bi — é onde entram as grandes negociações com desconto de multa e juros.

A leitura de crédito que vem disso é direta: parcelamento não é atestado de saúde, é sinal de gestão. A empresa reconheceu o débito e está administrando. O que pesa é a adimplência do acordo — um parcelamento rompido volta a ser débito exigível na hora. Por isso o CFO trata parcelamento como indício amarelo, nunca como alerta vermelho de dívida ativa.

Estoque ativo por programa

Onde estão os parcelamentos

Convencional · MEI
Parcelamento do microempreendedor individual.
CNPJs2,49 mi
valor parceladoR$ 6,3 bi
Convencional · Simples Nacional
Parcelamento do Simples Nacional (empresas optantes).
CNPJs1,06 mi
valor parceladoR$ 47 bi
Ordinário e simplificado
Parcelamento comum de débitos, PJ e PF — a via padrão do e-CAC.
CNPJs524.724
valor parceladoR$ 138 bi
Especial · Simples (PERT-SN, RELP-SN)
Programas especiais para optantes do Simples.
CNPJs72.572
valor parceladoR$ 12 bi
Especial · MEI
Programas especiais para o MEI.
CNPJs27.866
valor parceladoR$ 0,1 bi
Especial (PERT, Lei 12.996…)
Programas com redução de multa/juros e entrada — PJ e PF.
CNPJs21.618
valor parceladoR$ 83 bi
Especial · órgãos públicos
Modalidades para órgãos do poder público.
CNPJs3.693
valor parceladoR$ 33 bi

Perguntas frequentes

Quantas empresas parcelam débitos na Receita Federal?

No estoque ativo mais recente há 3.702.349 CNPJs distintos com parcelamento de débitos na Receita, somando R$ 204 bilhões consolidados na adesão. É um retrato dos parcelamentos ainda ativos, não o total histórico.

Parcelamento na Receita é o mesmo que dívida ativa?

Não. O parcelamento direto na Receita (RFB) é a regularização de um débito ainda no controle da Receita — não é dívida ativa exigível da PGFN. Indica que a empresa reconheceu o débito e está negociando; é sinal de gestão, não de saúde.

Qual a diferença entre parcelamento ordinário e especial (PERT, RELP)?

O ordinário/convencional é o parcelamento comum, sem desconto. Os especiais (PERT, RELP, Lei 12.996 etc.) são programas por lei com redução de multa e juros e entrada — por isso concentram os maiores valores.

Aplicações desta base

Ler parcelamento e regularização fiscal é peça de análise de crédito e risco, screening e compliance e due diligence.

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No dossiê, cada empresa mostra os parcelamentos ativos na Receita — programa, adesão, nº de parcelas e saldo — junto de dívida ativa, sanções e o grupo econômico. Dado aberto, com a fonte à mostra.

Fonte: Receita Federal do Brasil — Parcelamentos de débitos, dado aberto (7 programas), publicação mensal. Os números refletem o último snapshot carregado (estoque de parcelamentos ativos) e podem conter defasagem da própria fonte. Indício de dado público — não é prova de situação fiscal.